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terça-feira, 8 de setembro de 2009

As batucadas de Airto



Airto Moreira é um dos maiores nomes da percussão mundial. No final da década de 60 foi para os EUA, onde trilhou frutífera parceria com a cena jazzística. No começo de sua estadia _que se alonga há quatro décadas_ nos EUA, se juntou ao grupo de Miles Davis e participou de gravações seminais como Bitches Brew, Live-Evil e Big Fun. O primeiro álbum que gravou como líder foi Natural Feelings, em 1970, ao lado de Hermeto Pascoal, Ron Carter, Sivuca e Flora Purim _sua companheira e responsável pelo seu desembarque nos Estados Unidos.
Conversei com Airto na semana passada, quando chegou ao Brasil para apresentações no festival PercPan (Panorama Percussivo Mundial). No último sábado, tocou em Salvador. Hoje é a vez de o Rio de Janeiro ver o músico em ação.
Em seu site, mais informações musicais e biográficas: http://www.airto.com


a) É a primeira vez que toca no PercPan. Faltaram convites ou a agenda nunca bateu?
Os dois. Convite houve, mas nunca deu certo. Desde o começo do festival, quando o Naná [Vasconcellos] estava envolvido, falávamos de tocar, mas acabou nunca acontecendo. O PercPan é uma coisa diferente, um festival muito bacana e tocar no Brasil é um prazer muito grande. Vamos fazer shows com nosso grupo e devemos apresentar algumas músicas novas. Não é só um conjunto de percussão. Nossa música tem temas brasileiros, mas com muita improvisação também. É um grupo muito forte.

b) Se pensarmos em uma área mais jazzística, onde vc tanto fez, o Brasil ainda é visto nos EUA como um celeiro de percussionistas? Pergunto isso pensando em vc, Naná, Cyro Batista, Guilherme Franco...
É como no futebol. Aqui no Brasil todo mundo toca percussão (risos). Os americanos consideram o Brasil naturalmente como um produtor de percussionistas.

c) Nessa turnê nova que o Chick Corea tem conduzido, revivendo o Return to Forever, haverá espaço para vc e a Flora, que estiveram no início do grupo?
É um projeto que o Chick tem tocado, querendo apresentar o grupo original. Tenho conversado com ele. No ano que vem deve rolar [de tocarmos juntos], mas isso não é uma decisão minha. O Chick é quem está com a bola.

d) Alguma chance de voltar a viver no Brasil? Já são quatro décadas nos EUA...
E eu não fui para ficar. Fui por engano (risos). Fui porque a Flora foi antes de mim. Eu trabalhava com o Quarteto Novo na época. A Flora falou ‘quero sair um pouco, conhecer lá fora’. Eu queria ficar por aqui. Mas depois de um mês que ela foi eu não aguentava mais. O Quarteto Novo não estava conseguindo trabalhar muito e daí eu pensei: vou para os EUA ficar umas duas semanas. E estou até agora.

e) E por lá você logo se envolveu com a cena jazzística...
Fui conhecendo um pessoal, começando a tocar. Daí disseram para o Miles Davis, que na época estava iniciando sua fase elétrica, se preparando para gravar o Bitches Brew, que tinha um percussionista brasileiro e tal. Acabamos gravando aquele disco e tocamos juntos por mais uns dois anos.

f) Algum disco novo no forno?
Não costumo me interessar muito em gravar. Gosto mesmo é de tocar ao vivo. Acabo gravando aos poucos. Se os músicos estão afim, vamos em um estúdio, fazemos algumas horas de gravação, depois vemos no que deu. Não gosto de entrar no estúdio para gravar um disco inteiro. Mas no próximo ano vamos para São Paulo, para o interior de São Paulo, para gravar um disco da Flora. Não sei ao certo onde gravaremos nem quem vai participar, mas vamos fazer.

g) Depois dessas apresentações no Brasil, quais os próximos destinos?
Daqui vamos para a Áustria, onde nos apresentamos no dia 12. Depois passaremos em Cascais, em Portugal. É uma cidade mágica, gostamos de ficar um tempo por lá quando podemos.

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