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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Algumas palavras...


"Eu classifico-me como músico de jazz. Penso que, de uma forma muito pessoal, estou a seguir uma tradição de saxofonistas, de tenores. E tento trabalhar com todos os elementos que aprendi com os músicos norte-americanos. Apenas adapto esses elementos à minha maneira, mas acho que sou um músico de jazz, sim. Os meus saxofonistas de referência são Sonny Rollins, Coleman Hawkins, Benny Carter, Don Byas, Eddie 'Lockjaw' Davies... Ouvi muito esses músicos, todos eles me impressionaram muito e tentei retirar elementos da sua maneira de tocar para a minha música."

"Acho que aquilo que faço -ou aquilo que tento fazer- é tocar jazz. Obviamente, é uma questão de definição e o jazz não é apenas os doze compassos do blues ou os trinta e dois compassos das canções de jazz... É uma forma de vida, é necessário dedicação! É necessário dedicar tudo o que se tem à música, ao instrumento, aos músicos com quem se trabalha. É isso que significa o jazz para mim. Por isso, acho que estou a seguir essa tradição."

"A música jazz não é uma questão de uns meses ou um ano ou um período curto, com o jazz estamos comprometidos a vida inteira. É uma espécie de viagem com a vida e uma tentativa permanente de aproximação àquilo que queremos realmente dizer."


**Peter Brötzmann, em entrevista à revista portuguesa Jazz.pt/julho de 2008**

3 comentários:

angel disse...

Gosto muito de jazz, principalmente de sax. Sabe o que senti falta em seu blog? Um sonzinho de jazz ou de solo de sax enquanto lemos as informações sobre os musicos importantes.
Pela foto, vi que também gosta de gatos. Acho que é coisa de pessoas sensíveis. Reparou que quase todos os escritores músicos ou artistas ( gente mais introspectiva que gosta de estar sozinho para pensar, curtir suas coisas com uma certa independência) se deixam fotografar com seus bichanos?
Abraço
angel

Vagner Pitta disse...

Apesar do meu blog, o Farofa Moderna, ser livre para a amostragem de quaisquer músico do jazz e da música improvisada, eu realmente não gosto do estilo de Peter Broztman, pois até vejo uma linha de projetos diversificados em sua discografia, mas não vejo em sua torrente de nótas tórridas e sua forma de tocar inconoclasta uma sequência de idéias apreciáveis -- isso desde Machine Gun até seus projetos mais recentes, não há um fraseado inteligente e criativo que tenha passado por várias fases de adaptações, como Coltrane e Rollins passaram. Até vejo alguma "militância" em prol de algo que podemos chamar de "arte crua e nua", mais propriamente pro lado da arte da musica serial e abstrata. Mas, apesar de convir que há elementos mínimos que podem ser considerados jazzísticos, não vejo a sua arte como jazz, propriamente dito, pois essa música foi e sempre será uma música instrumental de improviso, mas com uma forte identificação popular e uma linguagem definível, apesar dos seus vários dialetos: e aí estou falando da combinação de rítmos, harmonias e melodias, os quais são tirados da gênese cultural dos povos -- que podem ser lá dos EUA, da Inglaterra, África ou do Brasil -- e são reformulados para um fraseado jazzístico, uma linguagem que pode variar na sua multidão de dialetos, mas que é totalmente indentificável como sendo "jazz". Acho que o principal segredo do jazz é o fraseado -- o qual supera até mesmo o rítmo --; é a linguagem e toda sua diversidade, a qual pode se adaptar para quaisquer época e cultura - cultuas regionais ou mundiais. Então, quero dizer que em todos os momentos do jazz -- até mesmo nos mais extremos, com Ornette e Ayler -- o jazz sempre foi a reformulação instrumental representante de toda a inquietação expressiva do afro-americano diante da sua cultura e política, tendo, portanto, uma linha de estudo bem definida de fraseado, acentuação, tensão, improviso, articulação, de rítmos, harmonias, melodias e etc -- digo isso, claro, considerando a linha do tempo suas ínumeras ramificações pelas quais o gênero musical sofreu e está sofrendo durante sua evolução -- ramificações essas onde o branco também interfere com sua música pop, bem como tendências regionais, de dentro ou fora dos EUA, tbm interferem para formar uma diversidade em torno dessa música.

Mas não se pode considerar que toda e qualquer música improvisada possa ser considerada jazz, senão também chamaríamos de jazz a música improvisada dos tuaregues, por exemplo. O improviso é apenas um dos elementos do jazz, não o único.

Houve um tempo -- anos 80 e 90, com a onda do Marsalis -- em que o próprio Broztman e outros músicos, como Cecil Taylor, tinham desistido de chamar esse tipo de música estritamente improvisada de jazz: diziam ser apenas música criativa ou música improvisada. Agora, com a onda do ecletismo mundial parece que há uma nova tentativa de encaixá-la como sendo mais um dos dialetos jazzísticos. Há controvérsias...Eu prefiro considerá-la como uma arte advinda do jazz mas com seu reduto e linguagem própria: se é pra dar um rótulo, Música Improvisada ja é, por si só, o rótulo mais coerente pra definir esse estilo musical.

O Esbjorn Svensson, sim, fazia jazz porque ele reformulava o fraseado americano para uma linguagem contemporânea com fortes apelos das novas culturas européias: o rock e pop europeu contemporâneo, por exemplo. Mas a música de Broztman é apenas musica improvisada, com apelo para a música serial e abstrata -- vejo ele como mais como uma espécie de Stockhausen do sax tenor, mas não vejo grandes lingações do seu sax com a tradição dos grandes tenoristas americanos.

Mas, opiniões à parte, seguimos com a diversidade! Abraços!

fabricio vieira disse...

Foi exatamente por isso que reproduzi essas falas: Brotzmann ‘músico de jazz’? Não sei se isso é algo íntimo dele, que tem o direito de se sentir herdeiro artístico de quem quiser, mas é, no mínimo, curioso pensar nele como um ‘jazzista’.

Encaro o trabalho dele como pertencente a uma linhagem de radicalismos sonoros, que o Flô Menezes (um dos mais brilhantes nomes da música nascido em nosso país) chama de “música especulativa” ou o Augusto de Campos rotula de “música de invenção” (apesar de os dois se aterem mais ao campo ‘erudito’). A partir de uma leitura sincrônica da música, livre de cacoetes interpretativos-evolutivos (que, infelizmente, ainda contaminam o ensino de literatura em nossas escolas), arquiteto meu ‘paideuma’ sonoro partindo de Bach e passando (pelo último) Beethoven, Webern, Cage, Boulez, Stockhausen, (especialmente o último) Coltrane, Ustvolskaya, (especialmente o primeiro) Pendereck, Kaoru Abe, Berio, David S. Ware, Naná Vasconcelos, Anthony Braxton, Villa-Lobos (até a década de 30), M. Takayanagi, Evan Parker, Charlie Parker, Cecil Taylor: não, esses não são meus músicos favoritos, são apenas alguns destacados inventores (pensemos nas categorias poundianas) que comporiam esse códex. E é aqui que o Brotzmann e sua música entram.

É curioso notarmos que, na década de 60, quer seja por razões estéticas ou de cunho político-social, muitos músicos ligados ao ‘avant-jazz’ do período diziam não fazer mais ‘jazz’ (como o próprio Coltrane!). Em uma entrevista de 1968, Alice Coltrane afirma que seu marido dizia não considerar sua música mais como ‘jazz’: “I asked him what it was that he was doing in music. He said: ‘I am for a universal sound”.
No caso de música improvisada, é claro que não é sinônimo de jazz. Afinal, a improvisação é um elemento anterior ao jazz (e estou falando apenas de música ocidental): a música barroca (séculos XVII-XVIII) lidava com a improvisação solista (e, como não temos registros de execuções, há historiadores que julgam que a improvisação barroca era ainda mais relevante do que imaginamos). Não esqueçamos que o próprio Bach, além de compositor fenomenal, era conhecido por ser um virtuose do órgão, sendo grande improvisador no instrumento. Ainda na seara ‘erudita’, a improvisação despontou de forma extrema nas obras aleatórias de Cage ou na ‘música intuitiva’ de Stockhausen. Por essas razões, concordo em achar estranho ouvir Brotz se dizer um ‘músico de jazz’. Mas, o que importa, é ouvi-lo em ação (quem sabe algum dia vc não aceite a música dele!)
um abraço!