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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Desvendando o universo braxtoniano

A multifacetada e complexa obra de Anthony Braxton já foi tema de vários livros. Para os interessados em desbravar suas trilhas artísticas, essas publicações são de grande relevância. Infelizmente, nada está publicado no Brasil _é bem provável que jamais tenha saído um disco sequer do saxofonista no país, nem em vinil, nem em CD. Pelo menos, nunca me deparei com nada (e olha que já encontrei edições nacionais empoeiradas em vinil de Alice Coltrane, Sunny Murray e Art Ensemble of Chicago).



“Forces In Motion: The Music And Thoughts Of Anthony Braxton”
Autor: Graham Lock
412 pags
Publisher: Da Capo Press (1989)


Talvez o mais antigo trabalho de fôlego sobre a obra braxtoniana realizado, "Forces in Motion: The Music And Thoughts Of Anthony Braxton" foi editado pela primeira vez em 1989. O livro nasceu a partir do acompanhamento, feito pelo autor, de uma turnê de Braxton pela Inglaterra em 85, com o seu quarteto de então (Crispell, Dresser e Hemingway). Entrevistas, críticas dos shows e bastidores formam a coluna vertebral do livro. Para quem ouviu (e se deliciou com) o “Quartet (Santa Cruz)”, as páginas do livro ajudam a iluminar a música que nos é apresentada.






“New Musical Figurations: Anthony Braxton’s Cultural Critique”
Autor: Ronald M. Radano
336 pags
Editora: University Of Chicago Press (1994)


Em uma linha bastante diferente, "New Musical Figurations: Anthony Braxton's Cultural Critique" apresenta um painel de vida e obra do músico, buscando traços em sua formação, nos 60s, para ajudar a explicar o imponente personagem que se tornou. Partindo do cenário do jazz praticado em Chicago nos anos 60, o autor reúne elementos biográficos, estéticos e de crítica cultural para compor seu Braxton. Nesse caldeirão, Radano tenta explicar também as intrincadas teorias musicais e filosóficas do compositor norte-americano.




“The music of Anthony Braxton”
Autor: Mike Heffley
504 pags
Editora: Greenwood Press (1996)


O monumentla trabalho de Heffley sobre a free improvisation europeia ("Northern Sun, Southern Moon: Europe's reinvention of jazz”) já foi apresentado por aqui. Quem seguiu a dica e leu esse livro, sabe que o autor esbanja erudição –sem se tornar pedante – para compor suas teses. Nessa sua visita ao universo sonoro de Braxton, Heffley mantém a mesma elegância. Se não chega a ser uma biografia intelectual, "The music of Anthony Braxton" adentra essa esfera e consegue dar novas entradas à criação musical braxtoniana. O autor, muito detalhista, clarifica o sistema de titulação das peças do compositor, mostrando que nada é gratuito ali. Também dedica quatro capítulos apenas para expor detalhadamente algumas das principais formações trabalhadas pelo saxofonista: Solo, Duo, Trio, Quartet e Large Ensemble. Obrigatório para se aprofundar na música de Braxton.

3 comentários:

Vagner Pitta disse...

Em 2008, sob a sugestão de um colega que é fanático por Braxton, me debrucei sobre alguma das principais obras do mestre: e a partir daí, através de pesquisas, escrevi alguns artigos que estão disponíveis no Farofa Moderna - inclusive, fiz uso do livro de Mike Heffley, o qual me foi emprestado para ajudar no detalhamento além de outras publicações arquivadas na net e de minhas próprias impressões. Fiquei algum tempo para escrever o artigo, pois a discografia é imensa e eu não queria tirar conclusões precipitadas: haja vista que tenho ressalvas pessoais contra a abstração exagerada usada por alguns "gênios" na música: ou seja, de início eu não achava Braxton um gênio, justamente pelo uso abusado com que se autodenomina gênio através da abstração rs...


Mas depois percebi que essa era apenas uma faceta da sua personalidade um tanto "megalomaníaca", digamos assim. Quando ouvi obras mais coesas, como as do quarteto (Dortmund, por exemplo), mordí a língua; a mesma coisa aconteceu quando ouvi Creative Music Orchestra...achei discos interessantíssimos e fiquei obcecado em saber mais: suas influências, seus estilos próprios desenvolvidos (no ambito da composição e no âmbito do fraseado)...e, enfim, concluí: Braxton é, sim, um gênio...


No entanto, algumas ressalvas contra alguns títulos da obra de Braxton eu as mantive: eu o acho vago demais e de um conceitualismo próprio dele que as vezes é vazio e desnecessário, ou seja não me consta que alguns conceitos braxtonianos tenha inovado de fato a estrutura do jazz ou da música erudita de alguma forma efetiva de modo que vários músicos pudessem fazer uso deles - por isso acho que os conceitos de Braxton é necessário e útil apenas pra ele e para seus poucos admiradores. Aliás, em entrevistas ví que nem mesmo Braxton dá uma explicação lógica para algumas indagações: segundo ele, "são respostas que ele ainda está procurando".


Mas, de fato, trata-se de um artista singular, um gênio acima de rotulações. Gostaria que Braxton fosse mais claro e viesse, num futuro que eu ainda pudesse alcançar, a influenciar uma gama maior de músicos de jazz.

akirarw disse...

O disco duplo Paris Concert do Circle foi lançado aqui no Brasil.

fabricio vieira disse...

pelo que me lembre, apenas esse. Mas eu me referia mesmo a discos solo do Braxton.