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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Um clássico de David S. Ware

A década de 90 representou, provavelmente, o segundo período mais efervescente do mundo free jazzísitico. E dentre os variados talentos que emergiram ou renasceram (Gayle, Gustafsson, Shipp, Vandermark, Perelman, Tsahar, Ibarra) na época, brilha em especial um grupo: o David S. Ware Quartet. Qualquer livro ou artigo que encampe o free/jazz dos anos 90 e ignore a existência desse grupo, já começou mal... Apenas na década de 90, o David S. Ware Quartet produziu quase uma dúzia de álbuns excepcionais, obrigatórios em muitos casos.

 A rara estabilidade do quarteto, que contou permanentemente com David S. Ware (sax), Matthew Shipp (piano) e William Parker (baixo), entre 1990 e 2007, além de bateristas do nível de Susie Ibarra e Marc Edwards, ajuda a explicar a complexidade e profundidade de sua criações. Criptology, um dos pontos máximos desse conjunto, foi gravado no fim de 1994. Junto a Oblations and Blessings, de 96, Criptology apresenta o quarteto em potência máxima. A partir dos temas/motivos desenvolvidos por Ware, o grupo cria tempestades sonoras que revitalizam o caixilho que estrutura e simboliza o free jazz. Nada de recopiar o que os mestres passados fizeram: a música é nova, com sabor e marcas únicos.        

Ware estava em Criptology no ápice do desenvolvimento de sua forma sonora. Os sopros longamente expandidos, encorpados, mas em uma esfera mais aguda (ayleriana) do que grave (pharoaniana), sempre esmigalhando e recaptulando os temas simples, mântricos, com os quais costuma(va) trabalhar.
 


A engenhosa arquitetura do quarteto só era possível a partir da complexa relação entre as cordas de Parker e os teclados de Shipp. Para entender o papel fundamental de ambos, nada melhor do que ouvir a faixa “Dinosauria”: a peça é aberta pelo pianista, que dedilha primeiramente o tema, que será, na sequência, destrinchado pelo sax, enquanto Matthew, de forma pontilhista, pinga acordes mínimos. Aos 5m30, Ware abandona a faixa; Shipp retoma o primeiro plano, em solo que se estende até os 6m45, quando reassume o pontilhismo, cedendo o comando a Parker, que surge com arco; os dois alternam-se assim até “Dinosauria” se encerrar, passados os 10 minutos.   

Já Whit Dickey era o cara perfeito para as baquetas nessa fase mais explosiva. Não sendo um baterista muscular, Dickey tinha a intensidade ideal para não abafar Shipp _fundamental na concepção do grupo_ e dar um suporte encorpado e acelerado o suficiente para o sax de Ware voar em sua plenitude.

Se a improvisação está na fundação que sustenta o som do conjunto, as faixas sempre nascem de motivos apresentados pelo saxofonista. O sistema de criação de Ware está presente em toda a trajetória de seu quarteto. E Cryptology revela um dos momentos mais excitantes dessa estética, com seus rompantes ácidos e desesperados.

As seis ‘composições’ do álbum são divididas em a, b, c, d, e, f, reforçando a impressão de serem apenas parcelas de um todo. Ouvido em sequência, o álbum apresenta uma lógica de desenvolvimento, com elevações e contenções rumo à assombrosa “The Liberator”.

Cryptology (‘criptologia’) nos convida a decifrá-lo, a embrenharmo-nos em sua complexidade orgânica, em sua tensão inesgotável e radiante.

*David S Ware: tenor saxophone
*Matthew Shipp:  piano
*William Parker: bass
*Whit Dickey: drums

a) Solar Passage  (6:42)
b) Direction : Pleiades  (9:04)
c) Dinosauria   (10:04)
d) Cryptology/Them Stream  (14:19)
e) Panoramic   (10:45)
f) The Liberator  (10:44)

Recorded on 2 December 1994 at Sound On Sound Studio, NYC.

7 comentários:

::Andre:: disse...

Não conheço. Obrigado!

Aninha disse...

Muito bacana essa coluna de IC estou entrando agora no mundo de free jazz e era isso que estava procurando!! Parabéns pela ideia!!Ana

Vagner Pitta disse...

Um dos meus músicos preferidos nao só do free, onde sou bem seletivo, mas de todo o jazz.

O akira, nosso colega que tando nos ajuda lá no Farofa, está mais por dentro das minhas posições sobre a tal da música livre:

pra mim nenhuma música é totalmente livre ou free, pois a própria concepção de uma música ter emoção e coerência está relacionado ao fato dela ser condicionada à uma linhagem de trabalho, à estilos construidos durante uma tragetória, a elaborações, nem que seja de forma mínima...ou seja, a música precisa atingir as pessoas ou -- analisando o elitismo aí presente -- ela precisa atingir classes determinadas de pessoas, e pra que isso aconteça o compositor, improvisador, performer tem de condicioná-la em alguma forma, em algum conceito. Ora, então "música livre" não é uma veracidade, ok? É mais um rótulo, como "jazz" o é...


aliás, acho que agora, sim, vivemos na época mais livre da história daquilo que chamamos de jazz: digo isso porque vemos que os músicos trabalham com o que bem desejam trabalhar sem se importarem com os rótulos que a crítica vai lhes dar


Mas voltando a questão dos músicos de free jazz:


Gayle? Sim, em alguns discos dele sinto a espiritualidade e a ternura mesmo quando não há uma linha melódica inconsciente


David S. Ware eu o admiro -- apesar de não conhecer intensamente, ainda -- por que se diversifica: tem discos com este quarteto, tem discos com sessão de cordas, tem trios...

o Ware me parece um Ayler mais diversificado através das influências que os anos 90 e 2000 lhe propiciou, não sei...tenho essa impressão


Outro que sou fan é o Tim Berne: apesar dele não ser tão "torrencial", como voce, talvez, diria.


Enfim, quando eu ouço a música desses caras eu não apenas as ouço: eu as sinto...


a música boa, espirituosa...ela fala por si só!


Abraço!

Anônimo disse...

Ei, grande site! É...cadê o link deste disco?

fabricio vieira disse...

os links da seção I.C. são temporários.

Anônimo disse...

please, please, please

Wilson disse...

Pela madrugada, volte este link, ó mestre dos sons!!!