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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sons nas Redondezas - II

É bom constatar que novos projetos na seara free jazzística têm pipocado por aí. Me surpreendi com dois discos que recebi das mãos do guitarrista Luis Galvão, logo após o show do ‘Ivo Perelman Quartet’. Os álbuns, livres desde sua concepção, tem em comum a participação do baterista Flávio Lazzarin _dono das baquetas também no Otis Trio. FLAC e LSD3 são os nomes dos projetos –duo e trio, respectivamente.



O primeiro disco que ouvi foi ‘Improvisações’, do duo FLAC. Logo na primeira faixa, dá para sentir a que vieram Lazzarin e o saxofonista André Calixto. Bateria e sopro, formato clássico na seara free. O duo mostra intensidade sonora e inventiva, agarrando os ouvidos logo aos primeiros minutos. Após escutar o FLAC, foi inevitável pensar: será que desperdicei alguma oportunidade de vê-los tocando por aí? Com isso em mente, conversei com o Flávio sobre o projeto:      


 “Ainda não nos apresentamos ao vivo, mas também não colocamos isso como meta (ainda!). Estamos mais concentrados em produzir um material em estúdio, experimentar bastante e, com isso, começar a apresentar o projeto para o público. O FLAC pretende continuar desenvolvendo o som durante muito tempo ainda. Quinta-feira passada (mais precisamente no dia 14) gravamos o ‘Volume 2’, no mesmo formato que o primeiro, apenas com improvisações. Ao que parece, esse projeto vai continuar dando frutos durante muito tempo!



O LSD3 difere não apenas no formato, mas também na pegada do “Improvisações”. Nesse álbum, a música desenvolve-se de forma mais gradual, chegando compasso a compasso. Também livre improvisação, esse disco complementa o outro ao mostrar uma concepção distinta do desenvolvimento sonoro. Calixto cede aqui os sopros para Flávio de Sousa. E Alex Dias, ao baixo, complementa o trio.

Vendo como trabalha a bateria e seu interesse por outras instrumentações (eletrônicos, samples), questionei Lazzarin sobre de onde brotam suas influências, aquilo que o ajudou a trilhar seu rumo percussivo (interessante ele destacar nomes mais contemporâneos):

Falando de bateristas, posso citar alguns nomes, como Susie Ibarra, Paul Nilssen-Love, Gerald Cleaver.... Mas me influencio com todos os que vão traçando sua história na cena free jazz/impro.... Não só os bateristas, mas todos os instrumentistas que fazem disso suas vidas e espíritos! Sou também bastante ligado às artes-plásticas. Gosto muito de pesquisar imagens diversas, pinturas.... as imagens sempre me remetem à alguma ideia para sons. Também gosto de pintar umas telas. As capas do selo ‘Zumbidor’ são de autoria minha. Gosto de misturar as tintas com o digitalismo do Photoshop... isso trás muita música para mim.

Além de tocar um som próprio e gravar seus discos, o pessoal está montando um selo independente, ‘Zumbidor’, pelo qual esses dois álbuns vieram à luz.

Flávio falou um pouco também sobre como andam os espaços para tocar, se já dá para começar a viver de música com repertório e projeto próprio, sem ter de ficar fazendo ‘jazz-ambiente de boteco chique’:

Dizer  que estou sobrevivendo apenas de jazz seria mentira. Trabalho também com outros projetos, como o Projetonave, além de ter um emprego fixo na produção de uma orquestra. Mas, sinceramente, não posso reclamar em relação aos espaços para fazer o jazz contemporâneo e autoral. Minha banda, o Otis Trio, tem conseguido espaços variados em SP para apresentar nossas composições. O cachê sempre é abaixo do esperado, mas estamos lutando e conseguindo vencer algumas batalhas. Sexta passada, eu e Alex Dias organizamos um quinteto para apresentação de Free/Impro lá na Serralheria; a casa estava cheia e durante toda a apresentação continuou cheia, o que é difícil de acontecer com shows de Free/Impro.

Lazzarin gentilmente cedeu links, dos dois álbuns, para quem quiser conhecer algo de novo que tem acontecido nas redondezas. Enjoy!

“FLAC”
“Improvisações / Improvisations
volume 01″

01.   15:18
02.   06:44
03.   07:49
04.   04:54
05.   07:09
06.   10:14
07.   09:49
08.   05:47

*André Calixto
– madeiras / reeds
*Flavio Lazzarin – bateira, eletrônicos / drums, electronics
**gravado em julho/10

flac1
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LSD3
“Composição n°01 / Composition #01″

01. parte 01 (take1)      10:51
02. parte 02 (take1)      08:49
03. parte 01 (take2)     10:54
04. parte 02 (take2)     08:46


*Flávio de Sousa – sax tenor e alto / tenor and alto sax
*Alex Dias – contrabaixo / double bass
*Flávio Lazzarin – bateria, vibrafone, sample / drums, vibes, sample

**gravado em junho/10

lsd3

2 comentários:

calixto disse...

É com muito orgulho que vejo um trabalho de improvisação livre,do ABC paulista ter espaço e ser citado,neste blog,que é sem dúvida,um oasís neste deserto de incertezas musicais,parabéns fabrício!!!

fabricio vieira disse...

Calixto, o espaço aqui está aberto para divulgarmos o que há de bom e novo. seja bem-vindo!