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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Omaggio a Noah Howard (1943-2010)

Noah Howard nasceu em 6 de abril de 1943, na mítica New Orleans. Ainda criança, se envolveu com música, sendo por longo tempo um dos garotos do coro da Igreja Batista. Do trompete, que tocou até o começo dos anos 60, enquanto esteve servindo no exército, passou ao sax alto, que se tornaria seu instrumento para a vida toda. Seu primeiro grande assombro sonoro ocorreu em uma apresentação do saxofonista Paul Gonsalves, quando tinha treze anos. Desde então, sabia: faria da música sua trajetória.


Não satisfeito com o que New Orleans o oferecia sonoramente, deixou sua cidade natal, rumo à Meca do free jazz nascente: Nova York. Era a primeira metade da década de 1960. Uma vez na metrópole, foi acolhido primeiramente por Sun Ra, que o abrigou em sua ‘Arkestra’. As coisas até que aconteceram de forma rápida para o jovem saxofonista: no começo de 66, aos 22 anos, gravaria sua primeira sessão como líder. Quem abriu as portas para Howard foi Albert Ayler, de quem havia ficado próximo e o recomendou para o selo ESP, que editou sua estreia. No mesmo ano, veio o segundo rebento (“At Judson Hall”). O saxofonista fecharia a década com um de seus maiores trabalhos, “Black Ark”, de 69.

Mas essa aparente rápida ascensão nunca significou sucesso ou estabilidade. Diante das dificuldades em sobreviver em seu país, fazendo a música na qual acreditava, Howard passou a se concentrar cada vez mais na Europa: em 69 partiu para Paris, onde passou grande parte do período que se estende até 71. Junto a seu amigo Frank Wright formou naquele momento um espetacular quarteto sem baixo que contava, além dos dois saxes, com bateria (principalmente Muhammad Ali) e o pianista Bobby Few. Esse grupo pode ser apreciado em álbuns históricos de Wright, como “Church Number Nine”, “One for John” e “Uhuru Na Umoja” (Howard conta que a sessão de “Uhuru Na Umoja” seria, na realidade, dele e não de Wright como foi creditado no disco. Howard teria ido para o estúdio com Art Taylor, com vários temas compostos e apenas convidando Wright para participar da gig).

Em entrevista de 2006, Howard rememorou o período:

Frank Wright went over to play with another band, but me and Bobby and Muhammad came together, and then we co-opted him and brought him into the thing. It was a strange thing, because we didn't have a bass player. At that point, we couldn't figure out who could fit into the compositions we were writing, so we said fuck it, we don't need a bass player. There was only two groups living in Paris at the time, between 69 and 71-72, two American bands playing this new music, and we ruled the universe. That was our group and the Art Ensemble of Chicago.” 

O avançar da década de 70 representou uma piora progressiva de cenário para os músicos free. Para Noah, não foi diferente. Passando temporadas na África, testou elementos de fusion e R&B. Chegado os anos 80, as coisas esfriaram mais ainda e o músico acabou esquecido por muitos: naquela década, lançou apenas o disco “Traffic”. Nesse contexto, acabou por se mudar de vez para Bruxelas, onde abriu um estúdio e um jazz club. O renascimento do free nos anos 90 acabou por se mostrar fundamental para o resgate do nome do saxofonista. Voltando a ser lembrado e/ou sendo descoberto pela geração mais jovem, Howard passou a gravar de forma mais constante, além de ter, na virada dos 90/2000, alguns de seus principais álbuns editados, pela primeira vez, em CD. Nos últimos anos, pôde ser visto em ação nos tradicionais “Knitting Factory” e “Vision Fest”. Essa revivificação acabou por encontrar seu último capítulo em 2010. De férias no Sul da França, o saxofonista acabou por falecer. Era o dia 3 de setembro. Noah Howard tinha 67 anos.

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O primeiro disco do saxofonista, “Noah Howard Quartet”, traz o músico acompanhado de instrumentistas pouco conhecidos –e que não seguiriam fazendo parte de suas incursões futuras. Os diálogos entre o sax alto e o trompete de Ric Colbeck fez muita gente associar esse quarteto aos primeiros grupos de Ornette Coleman. Mas a sonoridade é distinta. Tocando apenas temas próprios, Noah fez uma estréia já com muita personalidade, sinalizando os trabalhos mais fortes que lançaria nos anos seguintes.


A1 Henry's Street
A2 Apotheosis
B1 Apotheosis Extension I
B2 And About Love

*Noah Howard - alto sax
*Ric Colbeck – trumpet
*Scotty Holt – bass
*Dave Grant – percussion


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Recorded in January, 1966 in New York City.

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“Space Dimension” é fruto do incrível quarteto que Howard teve com Frank Wright na virada dos 60/70. O disco traz uma versão do clássico de Wright “Church Number Nine” e poderia ser encarado como um “Lado B” desse álbum, não apenas por trazer o mesmo quarteto, mas também por soar próximo, pertencer ao mesmo sistema inventivo. Uma das grandes realizações de Noah, tem nas disputas entre os dois saxes um ponto de relevo. Disco para ser ouvido seguidamente, sempre ofertando algo de novo para ser degustado.

1. Space Dimension
2. Viva Black
3. Church Number Nine
4. Song For Poets
5. Blues For Thelema

*Noah Howard - alto sax
*Frank Wright - tenor sax
*Bobby Few - piano
*Art Taylor - drums
*Muhammad Ali - drums (on "Church Number Nine")

SpD 

Release date: 1970.

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Na segunda metade dos anos 70, Noah realizou parcerias variadas, sem atuar com um grupo fixo. Em suas andanças pela Europa, se reuniu algumas vezes com o baterista Kenny Clarke (1914-1985), que foi uma das primeiras pessoas que ele conheceu quando chegou a Paris, em 69. Nome pertencente a outra esfera, Clarke não parece estar muito preocupado com a vivência free de Howard. E nas duas primeiras contidas faixas, sua levada ‘bop’ se mostra mais presente. Howard guarda seu melhor para o último e mais longo tema, “Red Star”, no qual podemos vê-lo agindo de forma mais intensa, acompanhado de perto pelo trompete.


A1 Creole Girl (8:20)
A2 Lovers (11:53)
B Red Star (23:07)


*Noah Howard: alto sax
*Bobby Few: piano
*Richard Williams: trumpet
*Guy Perdersen: bass
*Kenny Clarke: drums



Recorded at Studio Clarens-Vincennes, Paris, France on 16th May 1977.



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