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quarta-feira, 23 de março de 2011

Sons nas Redondezas - IV

Um dos projetos de exploração sonora mais interessantes a ser tocado nas redondezas recebe o nome de Supersimetria. Na estrada há quase uma década, o Supersimetria tateia rumos acústicos diversos: música eletrônica e eletroacústica, free jazz e improvisação livre, sax, flauta, baixo, percussão, pedais, synths e softwares, teclados, pesquisas e possibilidades várias em busca de um som particular e mutante, espalhadas por uma discografia que se estende por 45 álbuns.

O supersimetria é uma unidade de arquitetura-experimental sonora, somos engenheiros de frequências. As formações sempre foram variadas e abertas, mas quem manteve-se à frente desde o início, em 2002, fomos eu e Ronaldo Camacho”, explica Rob Ranches, um dos nomes mais ativos do projeto.

Alguns dos discos do Supersimetria navegam de forma mais explícita por águas free jazzísticas. Referências? “Pensando em free, Kaoru Abe, Eric Dolphy, Coltrane, Sun Ra, Peter Brotzmann, John Zorn, Albert Ayler, não necessariamente nesta ordem de importância.

O grupo não tem uma formação fixa, contando com uma variedade de colaboradores em sua trajetória, com os trabalhos variando de pesquisas solistas a quintetos, sextetos (ou até mais gente). Apesar da discografia alentada, a presença do Supersimetria nos palcos tem sido acanhada. “Tocamos pouco, isso desde o início da banda. Houve ano sem show algum, devido a vários fatores: muito equipamento para levar dado às influencias díspares, formação em constante mutação dado o modelo aberto (tipo chega e vai tocando...),  pouca divulgação do nosso trabalho e também devido ao fato de que não vivemos de música e nem no meio de músicos (musico no sentido mais amplo possível da palavra), além dos tradicionais problemas em manter uma formação mínima de gente integrada como "banda".

Para quem está mais focado em free jazz, vale à pena começar a conhecer o trabalho do Supersimetria pelos seus três “discos pretos”. Gravados em 2005/2006, os álbuns trazem duos de sax/bateria devedores do melhor esquema free music. Ranches e Mário Conte comandam os duos nos quais mostram composições instantâneas de expressivo impacto e grande energia. Kubikiri é um desses rebentos e mostra bem o rumo exploratório dos caras. Quem se interessar pelo som, pode encontrar os outros exemplares da discografia disponíveis no site deles: http://www.supersimetria.net/




*Rob Ranches: sax tenor
*Mário Conte: bateria

Gravado em 2005 no estúdio Arbória, São Paulo/Brasil.

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