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domingo, 10 de julho de 2011

Coletivos, cooperativas: formas de sobrevivência no universo free jazzístico

No auge do free jazz, durante a década de 1960, músicos e artistas começaram a se associar em cooperativas, centros culturais e coletivos como forma de se fortalecerem para desenvolver e difundir suas criações e ideias. Bill Dixon foi pioneiro nesse processo ao organizar o “Jazz Composers Guild”, que visava dar melhores condições de trabalho e destaque para os free jazzistas, ainda no ano de 1964. Participaram da formação do “Jazz Composers Guild” figuras do naipe de Sun Ra, Archie Shepp, John Tchicai, Roswell Rud, Burton Greene, Mike Mantler, Carla Bley e Paul Bley. A idéia de Dixon por trás do projeto era: “Você pode asfixiar um indivíduo, mas não um grupo organizado”.


Logo após essa ação primeira, outros projetos foram ganhando corpo. Em 65, o escritor/ativista LeRoy Jones (Amiri Baraka) agita a fundação do importante BARTS (Black Arts Repertory Theatre/School), sediado no bairro negro do Harlem. O BARTS era um centro cultural dedicado à formação de jovens e à divulgação da arte afro-americana. Aberto em maio de 65, o BARTS passou a promover peças de teatro, artes plásticas, história cultural e muitos concertos –tocaram lá Coltrane, Cecil Taylor, Sun Ra, Albert Ayler, Milford Graves e tantos outros. No mesmo ano, em Chicago, nasceria a mítica AACM (Association for the Advancement of Creative Musicians), da qual brotaram Anthony Braxton e Art Ensemble of Chicago. Em outra localidade fora do centro NY, mais precisamente em St. Louis (Missouri), emergiu o BAG (Black Artists Group). O ano era 1968 e músicos como Julius Hemphill, Oliver Lake e Charles “Bobo” Shaw estavam na base da empreitada, acompanhados de nomes como Joseph Bowie (trombonista irmão do mais famoso Lester Bowie) e Luther Thomas, além de pintores, dançarinos e outros artistas.
À parte excessões como a AACM, essas aventuras tiveram vida curta. Porém, esses coletivos todos foram de grande importância para que os músicos do free pudessem encontrar condições de criarem e difundirem sua arte, sendo que a maioria acabou por deixar registros: sozinhos, ignorados por produtores/gravadoras/público, teriam ainda mais complicadas e erráticas suas vidas de artistas underground.

Foi do BAG, que esfriou em poucos anos, que nasceu outro projeto que contava com o envolvimento de Charles “Bobo” Shaw: o Human Arts Ensemble. Contando com figuras que já haviam participado do BAG e adicionando outros nomes, o Human Arts Ensemble –que nunca foi um grupo fixo como o Art Ensemble of Chicago, tendo sempre mudanças de participantes a cada temporada– trouxe um traço interessante que resgatava um ideal do “Jazz Composers Guild” de Dixon: ser um grupo multi-racial, não servindo apenas de plataforma para os protestos dos negros, deixando os discursos sócio-raciais mais radicais dos anos anteriores de lado. Em 1972, o Human Arts Ensemble apareceu com o disco “Whisper of Dharma”, logo seguido pelo celebrado “Under the Sun” (73). No ano seguinte, o grupo se encontraria no lendário Studio RivBea, de Sam Rivers, para gestar este precioso Streets of St. Louis. O álbum traz alguns dos representantes da nata free daqueles dias: Hamiet Bluiett, Julius Hemphill e Abdul Wadud, além dos irmãos Bowie. Música intensa, quente, energy, livre, sendo mais uma das peças raras esquecidas na poeira dos tempos pelas gravadoras (obs: nunca reeditada, nunca lançada em CD). Ninguém se interessa por isso? Por quê relegar tão vital música ao ostracismo?



Side A:
 Streets of St. Louis (13:10)
 Miles Beyond (10:05)

Side B:
 Entensity Big (11:39)
 Hard Light (7:06)

 
*Charles Bobo Shaw: drums
*Joseph Bowie: trombone
*Lester Bowie: trumpet
*Hamiet Bluiett: baritone
*Julius Hemphill: alto
*Abdul Wadud: cello
*Dominique Gaumont: guitar

Live at Studio Rivbea, NYC, September 6, 1974.