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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

R.I.P. - Paul Motian (1931-2011)

O silêncio de um baterista. Nos últimos anos, se foram Elvin Jones, Max Roach e Rashied Ali. Agora, Paul Motian. Todos eles destacadas figuras do moderno universo jazzístico, senhores que ajudaram a levar a bateria além de seu papel tradicional de simples condutor rítmico.
Era ainda 1959 quando Paulo Motian se juntou a Bill Evans (1929-1980) e Scott LaFaro (1936-1961) para formar um antológico trio –peça fundamental na reestruturação da relação entre piano-baixo-bateria– e demarcar seu espaço na história do jazz. Disse Motian à All About Jazz:

I think it was the first time that people were playing in a piano/bass/drums trio that wasn't just the pianist being backed by bass and drums. That was the norm. The music I happened for us because of who were—the people and the music and the talent of the people playing and coming together. It was like three pieces of a puzzle that just fit together very nicely. And the music was great, man; people were playing great. I can listen to that stuff now and it sounds like it could have been recorded today. I remember us talking about that—we wanted to make a music that didn't have a date on it. And I guess that happened."

Uma década depois, Motian estaria junto com Charlie Haden (parceiro em diferentes etapas) ao lado de Keith Jarrett para formar um dos brilhantes grupos que atravessou os anos 1970. Logo viriam os trabalhos como líder, fundamentais na sedimentação da carreira de músicos tão distintos quanto Bill Frisell e Joe Lovano. Motian sempre esteve aberto a parcerias amplas, somando encontros com músicos de perfis, gerações e histórias distintas: Geri Allen, Joshua Redman, Gary Peacock, Chris Potter, Dewey Redman, Steve Swallow, Lee Konitz, Marilyn Crispell, Tony Malaby –todos dividiram créditos com ele em algumas das dezenas de álbuns que assinou. Curioso que pianistas sempre foram parceiros de relevo em sua trajetória (Paul Bley, Evans, Jarrett, Allen, Crispell); recentemente, apareceu ao lado de alguns destaques da nova geração: Jason Moran, em “Lost in a Dream” (2010), e Brad Mehldau, em “Live at Birdland” (2011).

O percurso de Motian, que nasceu na Filadélfia, em 1931, e começou a tocar profissionalmente nos anos 1950, ajuda a entender a abertura de sua experiência e realização artística. Nomes de diferentes eras do jazz estiveram a seu lado em cerca de seis décadas de vida musical e pesaram no rumo inovador que suas baquetas tomaram:

"I played 4/4 for about a million years. I mean, I played with Oscar Pettiford, Coleman Hawkins, Roy Eldridge, Herbie Nichols, Thelonious Monk. After I played with Bill Evans and then started playing with Paul Bley and Albert Ayler and different people, I just started opening up the way I played and it just sort of became what it's become.

Em meados da década de 60, Motian inicia o que serua um longuíssimo contato com o pianista canadense Paul Bley. Os dois celebrariam encontros em muitas oportunidades, dos quais nasceram expressivos registros, como “Notes” (88), “Memoirs” (90) e “Not Two, Not One” (99). Dos primeiros diálogos, ficou como testemunho uma sessão de março de 1964. Editado em “Turning Point”, o encontro já foi resgatado em outros álbuns, com outros nomes e capas. Além de baterista e pianista, o disco traz a presença de Gary Peacock e do saxofonista John Gilmore (1931-1995), sempre lembrado como membro central da Sun Ra Arkestra (em duas faixas que aparecem no disco, captadas em outro momento, as baquetas ficam a cargo de Billy Elgart). Criado na aurora do free jazz, Turning Point testemunha um momento de busca por liberdade e descoberta de novos processos musicais, sem arroubos ou ataques desmedidos. Música inovadora, mas de degustável fatura.
 











*Paul Motian: drums
*Paul Bley: piano
*John Gilmore: tenor sax
*Gary Peacock: bass
(Billy Elgart: drums in B2, B3)

Recorded New York City, Mirasound Studio, March 9 1964 / (B2, B3 Recorded Seattle Washington, May 10 1968).

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