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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Apresentando: Antonio 'Panda' Gianfratti

A música se tornou uma opção para ele ainda na década de 1960, adolescência, rock instrumental. Logo viria um curiosíssimo bio-intermezzo: a jovem guarda, dando suporte a Roberto, Erasmo e Wanderléa. Depois o jazz, a vida de ‘músico da noite’ e sideman... Apenas em meados dos anos 1990 ocorreria o encontro com um universo que alteraria sua percepção artística e trajetória de vida: o free jazz, que o conduziria a um novo rumo, emergindo o Antonio ‘Panda’ Gianfratti, fundador do seminal grupo de improvisação livre Abaetetuba e hoje conhecido de todos interessados em free music. O principal nome da percussão free nacional, que se encontrará amanhã com o japonês Sabu Toyozumi no Centro Cultural São Paulo, conversou com o Free Form, Free Jazz e contou passagens interessantes de sua trajetória. Para conhecer um pouco mais do trabalho desse grande instrumentista, aproveitem o papo abaixo e não deixem de ir amanhã ao CCSP:

"Sou autodidata, comecei muito cedo em 1962/3 tocando rock instrumental em um grupo de alunos do colégio Dante Alighieri, o ‘Silver Strings’, ganhador do primeiro concurso de Rock Instrumental no Brasil, pela TV Record, do radialista Miguel Vaccaroneto. Em seguida participei dos Beatnicks, conjunto oficial da jovem guarda, acompanhando Roberto Carlos, Erasmo, Wanderléa e outros artistas, tais como Jorge Ben, Altemar Dutra, isso até 66... Em seguida, me interessei pelo jazz e formei o ‘Triferente’, trio de temas de jazz e bossa nova com o pianista Samuel Khuri Jr, pioneiro do jazz no Brasil, e o contrabaixista Azeitona; acompanhamos Paulinho Nogueira, Vera Brasil, Taiguara, Celia e outros. Depois Sérgio Mendes conheceu meu trabalho e meus 16 anos e me prometeu levar para os EUA, o que cumpriu em 1970. Com 18 anos meu pai me permitiu aceitar uma bolsa de um curso de 1 ano de Afro-Jazz na University South Florida, em Tampa Bay-Florida, mas sempre ia para NY para ouvir, assistir e de vez em quando participar de jams com músicos americanos. De volta ao Brasil, me inseri na chamada ‘noite’ e aí toquei com muitos músicos, como Lanny Gordin, Zé Bicão, Moacir Pé Chato, Zerró Santos, mais tarde trabalhei com Sargentelli, Amelinha do Recife, Roberto Luna...

O despertar para o free jazz:
"Daí fundei em 1997 o ‘JAQ’ (Jazz Acoustic Quintet), com Boccato, Felipe Lamoglia (Cubano), Paulinho Paulelli e (sempre) Samuel Khuri Jr., com repertório de temas de jazz, McCoy Tyner, Wayne Shorter, Miles Davis, Mingus, Coltrane... E foi assim até me deparar com o Free Jazz: foi libertação, paixão à primeira vista, e comecei a estudar e pesquisar sozinho, até o Yedo Gibson, meu sobrinho, se interessar e me instigar a assumir essa opção. Aí radicalizei, passei a importar os CDs do Coltrane da fase free, Roscoe Mitchel, Albert Ayler, Steve Lacy, e depois os europeus, Brotzman, Han Bennink, Evan Parker. A partir daí, descobri a IL (improvisação livre) e sua ponte com o free jazz, John Stevens, Derek Bailey, Eddie Prévost, Phil Minton, um caminho natural me conduziu à free improvisation... Pelo interesse em timbres e pesquisa do som, comecei a criar e transformar instrumentos próprios para utilizar na música improvisada. Foi nesse ponto que iniciamos o Duo Liberdade, Yedo e eu, com três cds gravados. Em seguida fui morar com o Yedo na casa do pianista Veryan Weston, na Inglatera, em Welwin Garden City, momento em que conheci Marcio Mattos e os principais músicos ingleses, nascendo um relacionamento amistoso e de trocas. Regressei ao Brasil, o Yedo permaneceu por lá com os outros membros do Abaetetuba que fundamos em 2003. Em 2009 fui convidado para participar da FOCO Orquestra de Improvisação de Madrid, sob a regência de William Parker, em seguida tocamos no BIMHUIS, depois no Vortex e no Cafe Oto e também em Amsterdam com os holandeses da ICP, acabei fazendo um duo com Han Bennink...

Em relação à maior agitação na cena free local atualmente:
"Com certeza o movimento está crescendo, músicos jovens têm se interessado e as oficinas têm se revelado eficazes para o seu desenvolvimento [dessa música], devemos isso ao Juliano Gentile e ao CCSP, que há três anos têm permitido concertos e oficinas periódicas com importantes improvisadores europeus. No início, Yedo e eu tivemos que ir à Europa, não achávamos possível o desenvolvimento da IL por aqui, mas agora claramente as coisas estão fluindo e a formação de público também é evidente.

E para sobreviver apenas fazendo esse tipo de som?
Não se pode por enquanto sobreviver apenas do trabalho com a IL, dou aulas e, principalmente, tenho ministrado oficinas para leigos”, diz o percussionista, citando vários de seus projetos em andamento, como a ‘Orquestra de Garrafas’ (vencedor de edital público, dirigido para pessoas que nunca tocaram nenhum instrumento). 
“Também toco outro tipo de música, mas inserindo uma ponte entre a música popular convencional e a improvisação livre, com excelente resultado dentro do projeto Etnias, do contrabaixista Paulo Putini, e me apresentando em espaços como o Teta Jazz  Bar e o Jazz nos Fundos. São atividades paralelas, mas que envolvem de forma direta ou indireta os meus conhecimentos de IL.


E porque não procurou se firmar no circuito Europa/EUA como fizeram outros nomes de peso do free nacional, Marcio Mattos, Ivo Perelman, Alípio C Neto e o próprio Yedo?
Eu tentei ficar com o Yedo na Europa, mas falhou o meu passaporte italiano... Além disso, por causa da minha família e minha idade, resolvi voltar, mas aconteceu que as amizades se deslocam para o Brasil e meu trabalho pessoal foi reconhecido naturalmente e eles acabam vindo para tocar comigo por aqui e, ocasionalmente, vou à Europa. Tenho recebido bastantes convites, porém o preço do voo internacional tem me impedido de ir mais regularmente... o Ivo Perelman já tocou comigo aqui e até no programa do Jô Soares em 2006 tocamos juntos, o Veryan Weston veio duas vezes para cá e tocamos juntos com o Phil Minton, o Mark Sanders e o Trevor Watts, o Hans Koch virou um grande parceiro, enfim, também o Festival Internacional Abaetetuba tem me garantido o relacionamento necessário para fazer minhas trocas por aqui, embora lançamento de CDs não dá... o próximo vai ser lançado em Londres, um duo com o Phil Wachsmann, com a participação do Thomas Rohrer, com quem mantenho um duo há sete anos, enfim, meu futuro será um ir e vir constante.

Os encontros com Sabu Toyozumi:
O Sabu conheceu meu trabalho através da Luo Chao-Yun. Quando veio tocar conosco no CCSP, ela levou um audio do concerto, o Sabu escutou, gostou e me escreveu, [dizendo que] gostaria de tocar comigo em duo no Brasil e no Japão... mas as 30 horas de voo me fizeram convidar primeiro ele a vir para cá e, quem sabe, um dia irei enfrentar o vôo para lá (rsrsrsrs). Espero que seja um grande encontro de aprendizado... o Sabu tem uma história muito antiga, já tocou com os maiores nomes da IL e é um grande cara, está há cinco dias na minha casa e já nos tornamos amigos de verdade, muitas risadas e troca de informações... os pensamentos e as afinidades são muitos, esperamos que o concerto seja intenso e profícuo, tanto quanto tem sido a nossa relação pessoal. Os grandes improvisadores não perguntam jamais com quem você já tocou, eles se interessam muito mais pelas idéias musicais, as próprias e originais, enfim, espero que seja um encontro útil para os que estão começando agora.

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**Concerto:
*Antonio Panda Gianfratti e Sabu Toyozumi

Quando: 7/12 (qua); às 21h
Onde: CCSP
Quanto: gratuito

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Para conhecer mais e ouvir:
www.myspace.com/antoniopandagianfratti

3 comentários:

Ronaldo disse...

Conheci o som do Panda na apresentação com Hans Koch, e conversei um pouco com ele depois do show do Eke Trio. Gente finíssima. Amanhã estou lá!

fabricio vieira disse...

Promete ser um grande concerto!

Giorgia disse...

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