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sexta-feira, 23 de março de 2012

Christof Kurzmann e "El Infierno Musical"




EL INFIERNO MUSICAL


Golpean con soles

Nada se acopla con nada aquí

Y de tanto animal muerto en el cementerio de huesos filosos de mi memoria

Y de tantas monjas como cuervos que se precipitan a hurgar entre mis piernas

La cantidad de fragmentos me desgarra

Impuro diálogo

Un proyectarse desesperado de la materia verbal

Liberada a sí misma
    
Naufragando en sí misma

(1971, A. Pizarnik)



Há alguns anos, o músico austríaco Christof Kurzmann, que acompanha Ken Vandermark nesta passagem pelo Brasil, desembarcou em Buenos Aires –onde acabaria por fincar os pés, vive por lá até os dias de hoje. Certo dia, na calçada, sentado à mesa de um dos incontáveis cafés que invadem as ruas da cidade portenha, foi abordado por um vendedor de livros usados. O comerciante oferecia alguns volumes de poesia hispano-americana, tudo muito pouco conhecido por Kurzmann. Dentre os livros colocados à sua frente, um chamou a atenção em especial: tratava-se de uma coletânea de poemas da escritora argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972).

Não muito conhecida no Brasil –até onde sei, nunca teve sua poesia traduzida/editada em nosso país–, Pizarnik faz parte de uma galeria de intensas poetas suicidas, ao lado de suas contemporâneas Sylvia Plath (1932-1963), Anne Sexton (1928-1974) e Ana Cristina César (1952-1983). Dona de uma poética do mínimo, na qual a palavra crua desvela seu encanto sem adornos, floreios ou processos rítmicos/rímicos previsíveis, com muitas pausas entremeando figuras de indagação-resposta, Pizarnik deixou uma obra breve, completa em dois volumes (um de prosa, um de poesia) que atestam a grandeza de sua escritura.

Kurzmann, logo seduzido e encantado pelas composições de Pizarnik, criou um projeto em homenagem à escritora, batizado com um de seus poemas mais conhecidos: “El Infierno Musical”. O ano era 2008 e El Infierno Musical se transformou em um quinteto destinado a explorar improvisações, elementos free, trechos compostos, sempre partindo da poesia de Pizarnik. Dentre os integrantes desse projeto, está exatamente Ken Vandermark. Em 2011, veio a estreia em álbum homônimo, no qual o quinteto explora algumas criações da poeta, como “Cenizas”, “Cold In Hand Blues” e “Árbol de Diana”.


(Ken Vandermark e Christof Kurzmann em "El infierno musical")

Infelizmente, não será dessa vez que teremos a oportunidade de degustar o “El Infierno Musical”... De qualquer forma, Vandermark e Kurzmann prometem levar ao público brasileiro momentos elevados de inquietação sonora nos próximos dias...  



COLD IN HAND BLUES

y qué es que lo que vas a decir
voy a decir solamente algo
y qué es lo que vas a hacer
voy a ocultarme en el lenguage     
 y por qué
tengo miedo

(1971, A. Pizarnik)

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