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sábado, 28 de abril de 2012

GUERRILLA JAZZ: desconstrução, ruidosidade

Experimentar sons, não “fazer música” (ao menos não em seu sentido usual). Esse foi o rumo que sempre guiou a trajetória de Jeph Jerman, desde meados de 1980, quando colocou seu primeiro projeto, “Hands To”, em ação. Bateria, guitarra, percussão variada, tape, eletrônicos, Jerman direcionou suas investigações a diversos modos de expressão. Chegou a desenvolver trabalhos percussivos apoiado em pedras, madeira, cascalhos e outros elementos naturais, na melhor 'escola Han Bennink' de criar sons. Apesar de ter a improvisação como foco, o músico não se envolveu diretamente com o pessoal mais conhecido da free improvisation (tem alguns registros com os saxofonistas Wally Shoup e Paul Hoskin, por exemplo); lidou com artistas de outras margens, tendo em nomes como Tim Barnes e Greg Davis parceiros mais assíduos. Sobre seu trabalho, explica o músico:
 I find that most of my work nowadays is sound-based. I believe this is due to my growing interest in listening, in what happens when one listens, and my concomitant disinterest in contextualizing sound.

Um de seus cultuados projetos, dentre muitos que já executou, atendia por Blowhole. Surgido em 87 e sobrevivendo por cerca de uma década, o Blowhole praticava improvisação livre e deixou como uma de suas marcas a revisitação cínica a estilos e vivências musicais que rondavam os artistas envolvidos. O Blowhole lançou ao menos umas três dezenas de títulos durante sua existência, boa parte disso apenas no formato k7, quase tudo perdido na gaveta das raridades de pouco valor (não artístico, financeiro: quando alguns dos vinis do grupo aparecem em lojas virtuais, não costumam se distanciar muito dos US$ 10...). 

Uma olhada nos títulos de alguns álbuns do Blowhole dão uma idéia do tom do grupo, a ver: “Free Metal”; “Killing Noise”; “A Love Extreme”. E seu rebento mais conhecido: “Guerrilla Jazz”. Algumas iconoclastas versões de clássicos também podem ser encontradas em gravações do grupo, como “Are You Experienced ?” (Hendrix), “Can You Please Crawl Out Yr Window ?” (Dylan) e “Ghosts” (Albert Ayler). Noise, free impro, colagens, intervenções eletrônicas e alguma guitarreira rocker estão entre os elementos explorados por Jerman e seus parceiros nesse projeto, que começou como experiência solo, mas adquiriu participantes (fixos e avulsos) com o tempo. No começo da década de 90, por exemplo, Patrick Barber, Scott Hiller, Daniel Barber e Phil Rodriguez ajudavam rotineiramente Jerman a dar corpo e peso ao Blowhole, que se diluiu pela distância (os músicos se estabeleceram aos poucos em cidades diferentes) e por novas buscas ansiadas por Jerman, que ainda mantém intensa agenda criativa no Arizona, onde vive há tempos.

Este Guerrilla Jazz apareceu em 1990 e contava com Jerman comandando quase tudo que se ouve nas breves (em sua maioria) faixas que compõem o conjunto. Colaborações de Darren Soule, no trompete (protagonista apenas no tema ‘Control Group’, de fatura mais melancólica, com o sopro deslizando sobre uma bateria fraturada: pena que a peça seja tão curta...), e Dave Montgomery, à percussão, estão creditadas. Guerrilla Jazz não tem nada de jazzístico e nem mesmo a leitura do ícone ayleriano "Ghosts" conduz o grupo a um campo propriamente ‘free jazz’. Fruto do desejo de um músico distante de rótulos, regras, mídia ou igrejinhas artísticas, o Blowhole merecia algumas reedições que pudessem apresentar sua intrigante sonoridade a um público verdadeiramente ávido por novidades – e não hypes da estação. Mas fica a dúvida: Jerman está interessado em resgatar esse seu momento criativo?

 gj
Recorded Jan-Feb 1990. Originally released on cassette by Big Body Parts.

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