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domingo, 8 de julho de 2012

Quem tem medo de Peter Brötzmann? (I)




O Die Like a Dog foi não apenas um dos pontos nevrálgicos da free music na década de 1990, mas também um marco crucial no percurso de Peter Brötzmann. O quarteto, que reunia os geniais William Parker (baixo), Hamid Drake (bateria) e Toshinori Kondo (trompete/eletrônicos), deixou como legado quatro álbuns – um quinto título, “From Valley to Valley”, foi editado, mas com Roy Campbell Jr. no lugar de Kondo.

O nome do quarteto é uma homenagem/referência ao saxofonista Albert Ayler (1934-1970), como é explicitado no título do registro de estreia do grupo: “Die Like a Dog: fragments of music, life and death of Albert Ayler". Gravado ao vivo no Townhall Charlottenburg, em Berlim, no dia 19 de agosto de 1993, esse álbum marcou o início de uma brilhante associação que se estenderia até o final daquela década.




O Die Like a Dog soa como uma versão ultra-moderna do pioneiro quarteto de free jazz de Ornette Coleman e Don Cherry, também este assentado em sax-trompete-baixo-bateria. O Die Like a Dog é um daqueles grupos de alta densidade polifônica, para a qual cada um de seus integrantes representa papel similarmente fundamental  – eliminar qualquer um deles significaria desestruturar a organicidade basilar.

As texturas bordadas pelo trompete eletrificado de Kondo (que explorou como ninguém esse tipo de possibilidade) estabelecem um intrincado tecido no qual o sopro de Brötzmann adentra, ora se chocando, ora se amalgamando, em um percurso marcado por um diálogo fragmentário distendido por um feérico processo de ataque-resposta, que não se torna esquizofrênico em certos momentos devido à condução rítmica irretocável de Parker e Drake.




O Die Like a Dog foi um grupo de palco, onde sua música se desenvolvia sem amarras de qualquer tipo. Não à toa, nunca entraram em estúdio. Seus outros rebentos foram “Little Birds Have Fast Hearts”, vol. 1 e 2 (1997), e “Ayoama Crows” (1999), todos “ao vivo”. Os discos, que passaram um período esgotados, foram reunidos em 2007 no box “Die Like a Dog: the complete FMP Recordins”.

Brötzmann trabalhou em vários outros contextos com seus parceiros de Die Like a Dog após o fim do quarteto. Recentemente, o saxofonista e Kondo voltaram a se juntar em um novo quarteto, “Hairy Bones”, que, em alguns aspectos, remete ao saudoso Die Like a Dog. Em 2010, uma inédita gravação oficial do grupo, “Close Up”, datada de agosto de 94, chegou ao mercado para refrescar os ouvidos dos admiradores do fantástico quarteto...


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