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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sons nas Redondezas - XI


Quando se fala em som instrumental, as associações diretas que costumam ser feitas são com o jazz e a música de concerto. No Brasil, também pensa-se prontamente em choro e na chamada ‘música instrumental brasileira’. Mas o instrumental no rock também tem história antiga e representantes muitos explorando as mais variadas expressões nesse campo. Interessante que há até quem defenda que a origem do rock está, na verdade, intimamente presa a uma linhagem instrumental. Não à toa, mesmo em seus tempos iniciais de sedimentação, há mais de meio século, o rock já gestava clássicos nesse território, sendo a seminal “Rumble” (1958), do guitarrista Link Wray, ou “Walk-Don't Run” (1960), do The Ventures, testemunhos fundamentais daquele momento. De qualquer forma, é curioso que se convocarmos um fã de rock e pedirmos a ele que faça um Top 10 de bandas ou discos de todos os tempos, raramente surgirão exemplares instrumentais...
Nos últimos anos, temos visto bandas nacionais ligadas ao campo rock explorando a seara instrumental de forma mais usual e intensa, com propostas e resultados bastante variados: de Hurtmold a Macaco Bong e Chinese Cookie Poets, a música sem vocais parece ocupar atualmente um espaço mais destacado entre fazedores e apreciadores.

Nesse território, agora é a vez do quarteto Elma soltar seu primeiro álbum. Em uma década de estrada, o Elma construiu um rock instrumental pesado, denso, com temperatura metal latente, amparado por duas guitarras (Bernardo Pacheco e Paulo Cyrino), baixo (Ricardo Lopes) e bateria (Fernando Seixlack). Desde 2002, com alguns integrantes alterados, um EP e uma demo na bagagem, o Elma já apresentou seu som em palcos vários da cidade e agora se prepara para mostrar seu trabalho novo no Centro Cultural São Paulo, dia 15, em uma noite que contará também com o americano Kevin Drumm, força do noise atual.
Ao ouvir o trabalho novo do Elma, surge a curiosidade de se a improvisação livre e o noise também fazem parte do som como elementos estruturais, como caminhos que os integrantes buscam para ampliar a sonoridade própria que a banda tem ou se, ao menos, esses campos sonoros integram o universo de audições dos integrantes. 

Esse lance de improvisação livre acho que vem mais de mim e um pouco do Fernando, mas o lance é que isso é uma solução estrutural pra algumas partes das músicas, é dessa forma que acaba indo parar em algumas faixas do disco. Se fôssemos simplesmente listar estilos ou bandas que gostamos não ia ter fim, vai de Fugazi e Neurosis a bandas de HC melódico da Fat Wreck, samba, Duke Ellington e dubstep (não necessariamente todos na cabeça do mesmo integrante), alem dos gêneros que você citou [noise, free improvisation]. A gente não tem pretensão nenhuma de cobrir todos esses estilos, essas são só as coisas que a gente ouve, mesmo”, disse Bernardo Pacheco em conversa com o Free Form, Free Jazz.



O percurso longo que desencadeou o LP agora lançado mostra o trabalho artesanal que ampara o fazer da banda, em um mundo de ouvidos fechados no qual demarcar espaço e conseguir atenção é sempre um processo árduo, de paciência e foco obrigatórios. Manter uma banda de pé, arrumar um palco disponível, ter um público que aceite pagar algo para vê-lo em ação, desafios que marcam a música livre em suas diferentes faces.

A gente vive de outras coisas, mas acho que isso descreve a situação quase todo músico que só faz a música que gosta do jeito que quer, o que costuma ser o caso dos que a gente respeita. Não cabe ao resto do mundo financiar isso, mas é sempre massa quando passa perto de acontecer. Honestamente, acho que pro som que a gente faz as coisas correm bem melhor do que a gente poderia esperar. Não gastamos um tostão pra ter a banda já tem uns anos, temos um caixa, etc, em boa parte por causa do trabalho do Fred (Noropolis/Submarine Records)”, diz Bernardo.

Desde que lançou seu EP em 2006, quem conhece o Elma aguardava por um álbum completo. O processo não foi rápido. Em 2009, gravaram o disco, que somente agora chega à rua. O resultado não deixa brechas para bocejos. O LP do quarteto abre com uma pequena intro de 12s que parece avisar: se prepare. É aí que a faixa “A Parte Elétrica” eclode, com seus riffs pesadíssimos, demarcando o tom que irá amparar os ouvintes pelos cerca de 40 minutos que formam o álbum. Os temas não se desenvolvem repetida e linearmente, com uma progressão de velocidade e peso sem variação; há momentos de ritmos quebrados, com paradas e entradas-saídas dos instrumentos, picos de tensão que se dissolvem em viradas mais arrastadas (atenção à “Fat Breath”), tudo sempre preservando uma estrutura polifônica, em que as quatro vozes do Elma interagem constantemente, sem aberturas para virtuosismos ocos ou solos afônicos que em nada ajudariam a dar consistência à proposta do grupo.



O disco foi 95% gravado no fim de 2009, e do fim de 2011 pra cá estávamos só resolvendo a parte física da coisa, entre prensagem e manufatura da arte e embalagem, ou seja, o áudio já tava pronto faz tempo. Não lembro quando decidimos que o disco ia sair só em vinil, ou prioritariamente, mas de uns anos pra cá ficou claro pra gente que se for pra investir num formato físico pro disco o vinil faz bem mais sentido. Na falta de grana pra tudo, foi melhor focar nessa idéia e deixar a versão digital pra internet, onde ela já iria parar mesmo. A idéia da arte, especificamente, a gente teve já na época em que lançamos o EP, lá pra 2006, mas na época a gente tinha pensado uma versão da mesma coisa pra uma caixinha de acrílico, não sabíamos que poderia vir a rolar um vinil.”

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Mais Elma:
http://elmaband.com
audio LP

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ELMA + KEVIN DRUMM

Quando: 15 (sab); às 20h
Onde: Centro Cultural São Paulo
Quanto: grátis

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