FREE THE JAZZ!!!

IMPROVISED MUSIC, JAZZ ANARCHY, NEW THING, INSTANT COMPOSITION, OUT JAZZ, ALEATORY MUSIC, MODERN FREE, FIRE MUSIC, NOISE, AVANT-GARDE JAZZ, INTUITIVE MUSIC, ACTION JAZZ, FREE IMPROVISATION, JAZZCORE, CREATIVE IMPROVISED MUSIC. FREE THE JAZZ!!!

*SOBRE (about us)...

domingo, 13 de janeiro de 2013

Últimos suspiros de 2012: dois lançamentos, ainda...

A Submarine Records fechou o ano com dois novos títulos de alguns de seus artistas mais conhecidos: Hurtmold e Rob Mazurek/Objeto Amarelo. Salvo a estruturação instrumental, dois trabalhos distintos em todas esferas com pontos de interesse variados; composição/improvisação, ruidosidade/melodia, opostos muitos servindo de base para dois bem realizados álbuns.  
   

Eclusa, EP (vinil 7'') que nasceu do encontro entre o cornetista americano Rob Mazurek e o Objeto Amarelo (projeto do artista Carlos Issa), foi gestado a partir de concertos realizados em São Paulo (CCSP e CCPC). Mas não se trata de um disco para registrar um concerto ao vivo, o caminho entre o som captado e o resultado prensado é outro. A partir do material cru das apresentações foram construídas novas possibilidades sonoras, novas ligações entre sons improvisados anteriormente no palco, cacos e fragmentos rearranjados de uma nova forma. Assim, esse jogo de desconstrução pós-moderna possibilitou o surgimento de um material inédito mesmo para quem presenciou todos encontros ao vivo entre Mazurek (corneta e eletrônicos) e Objeto Amarelo/Carlos Issa (eletrônicos, guitarra, FX). Eclusa se revela através de camadas fraturadas, desnarrativas, que fazem os ouvidos flutuarem em busca de um apoio seguro que nunca se revela de fato. Ora notas perdidas da corneta, ora entradas bruscas das cordas da guitarra ou mesmo sutis ondulações eletrônicas forjam caminhos de escuta que indicam rumos sem saída. Não há aqui, no entanto, os ácidos processos de ruidagem encontrados no Objeto Amarelo; tudo soa mais letárgico que abrasivo. O princípio da colagem, que seduziu pioneiros mestres da música concreta e eletroacústica nos anos 50 e 60 (Pierre Schaeffer, Stockhausen...), revela-se uma arma precisa para a proposta do trabalho, fazendo com que o resultado seja expressivamente intrigante. Ponto negativo? Os curtos minutos a que se reduz a experiência – poderia passar muito tempo mais se embrenhando pelos tonteantes caminhos de Eclusa.





O outro lançamento da Submarine, Mils Crianças, é o novo aguardado trabalho do Hurtmold, banda instrumental que muito agrada o pessoal mais ligado à cena indie – basta ver o público que eles arrastaram para o show do Fire!, para o qual abriram. Diferentemente do que alguns possam imaginar/esperar, Mils Crianças não é aberto à improvisação; trata-se de um disco de composições, que se desenvolvem de forma equilibrada e envolvente, sem arroubos, bifurcações ou armadilhas de escuta. Mesmo sendo instrumental, o álbum se apresenta bem acessível a ouvidos mais adaptados a canções, a voz e letra servindo de condutor degustativo. Basta ouvir “Naca”, que abre o disco com envolventes flutuantes riffs de guitarra, acaraciando os sentidos em irrecusável convite para deixar o play rolar – se fosse um registro de outra natureza existencial, seria a faixa ideal para se tornar um “single de trabalho”. Todos os nove temas de Mils Crianças são relativamente curtos, mostrando que concisão pode ser sinônimo de precisão: cada uma das faixas parece ter, de fato, o tamanho necessário para que as ideias do sexteto sejam apresentadas e desenvolvidas. Em conversa com a + Soma, os integrantes reforçam o que sempre disseram: o que fazem é rock, nada mais. Claro que nem sempre no disco isso fica planamente óbvio; há momentos rock diretos sim, como a faixa “Pigarro”, mas há outras passagens que podem fazer o ouvido questionar: rock, apenas? Na estrada desde o fim dos anos 90, o Hurtmold já editou cinco discos oficiais – e há mais de cinco anos não soltava um registro novo. Seus antigos (e novos) fãs não têm mais motivos para reclamar, tampouco para desgostar deste novo rebento.


Nenhum comentário: