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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Nas Prateleiras (novidades do velho continente)...






Apanhado mensal de lançamentos recentes imperdíveis da free music
Nesta edição, o foco são novidades vindas da Europa.
Ouça, divulgue, compre os discos.










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In St. Johann
The Ames Room
*Gaffer Records


Matador lançamento do trio The Ames Room. Na ativa desde meados de 2007, o trio comandado pelo saxofonista francês Jean-Luc Guionnet chega ao terceiro álbum mantendo a intensidade e a forma dos anteriores: apenas uma longa improvisação, na qual os músicos destilam vital energy music, sem nunca deixar cair o ímpeto. O baterista australiano Will Guthrie e o baixista Clayton Thomas completam o time que vem fazendo um free que ajuda a alimentar a face mais hot dessa seara musical – como eles se autoreferem no site da banda: “Minimal Maximal Terror Jazz”. Guthrie e sua bateria fraturada ao extremo se revela o veículo ideal para o sax alto pontilhístico de Guionnet, que não costuma se aventurar por improvisos robustos ou de fôlego contínuo – mas não menos explosivos por isso, como mostra a faixa única de 40 minutos que compõe este “In St. Johann”. The Ames Room é um trio que estranhamente ainda não é muito lembrado quando se fala no free contemporâneo. Mas basta difundir mais o som dos caras para que isso mude logo.






Lana Trio
Lana Trio
*Va Fongool


Novíssimo grupo de free impro vindo da Noruega, o Lana Trio acaba de lançar seu álbum de estreia. O trio é formado por Kjetil Jerve (piano), Andreas Wildhagen (bateria) e Henrik Norstebo Munkeby (trombone), três jovens improvisadores que começaram a tocar juntos em 2007, mas demoraram para estruturar o grupo devido à distância geográfica de suas moradas. Explorando linhas abstratas abertas, sem uma lineariedade discursiva que os guie com precisão, o Lana Trio investe em técnicas espandidas para criar peças que oscilam entre momentos de maior intensidade e pontos contemplativos, que demandam uma escuta pronta a desvendar delicados efeitos sônicos.  





Foz
Manuel Mota & Toshimaru Nakamura
*Dromos Records



O encontro entre duas guitarras de estratos minimalistas marca "Foz", que celebra o diálogo entre o português Manuel Mota e o japonês Toshimaru Nakamura, que desenvolvem um  trabalho que se molda por entre quase-silêncios, quebrados por ataques pontuais e notas esparsas. Entre encontros/desencontros das cordas, Foz se revela uma gravação em que sente-se muito a falta de poder apreciá-la ao vivo, com os olhos podendo acompanhar os gestos mínimos dos músicos em sua contida ação.



  



Live in Madison
Humanization 4tet
*Ayler Records

O quarteto liderado pelo guitarrista português Luís Lopes, e que conta com seu conterrâneo Rodrigo Amado, além dos irmãos americanos Aaron e Stefan González, lança seu primeiro registro ao vivo. O “Humanization 4tet” não é adepto da improvisação livre, desenvolvendo sua música por meio de temas previamente compostos, destacando sua herança free jazzística aliada a elementos mais ao lado do rock – os improvisos, fundamentais para o som do grupo, são arquitetados a partir das composições. Destacando peças do excepcional anterior “Electricity”, o álbum traz intensas versões para “Jungle Gymnastics” e “Two Girls”, além de uma vibrante leitura de “Bush Baby” (peça de Arthur Blythe de 1977). Para encerrar a apresentação, a fantástica “Dehumanization Blues” – para não deixar ninguém na dúvida sobre a intensidade do registro.






Il Mandorlo
Silvia Bolognesi
*Jambona Lab/Fonterossa


A baixista italiana Silvia Bolognesi reuniu um quarteto para explorar sete temas de sua autoria – e mais três dos parceiros. O trombone de Tony Cattaneo e o vibrafone de Pasquale Mirra se mostram peças elementares para a sonoridade do grupo. Em duas peças, há a participação do clarinete de Marco Colonna. Bebendo na rica linhagem jazzística italiana, a baixista – que gravou em 2010 um belo duo com Sabir Mateen – dá preferência para o trabalho de conjunto, evitando colocar o seu instrumento como núcleo das peças. Para vê-la solar com justeza, vale conferir o tema “Camelie”.






... and it ended badly
Dead Neanderthals
*Raw Tonk /Gaffer Records


O duo holandês Dead Neanderthals, um dos mais furiosos projetos recentes do free, convidou o saxofonista britânico Colin Webster para esse novo registro. Além da formação ‘trio’, o DN mostra também uma face diferente: saem de cena as peças curtas e diretas, com destacado resquício grindcore, que marcam álbuns anteriores, em prol de explorações free impro mais livres e menos centradas. Além disso, Otto Kokke limpou seu sax, tirou os pedais do instrumento, que eram uma marca registrada sua. A improvisação ganhou mais espaço, mas a energia focada do DN se dissipou um pouco.


 




Antennae
Colin Webster
*Gaffer Records




Primeiro trabalho solo do saxofonista britânico Colin Webster, Antennae apresenta o amplo espectro de sons explorados pelo instrumentista em três veículos: saxes tenor, alto e barítono. Em um total de 20 pequenas peças, o álbum foi editado fisicamente apenas em K7, sendo também disponibilizado em formatos para download. As breves improvisações, que variam entre um e três minutos, mostram a coerente variedade de investidas que compõem o sopro de Webster.






Breakin the Lab!
Mats Gustafsson, Agustí Fernández & Ramon Prats
*Discordian Records



O pianista espanhol Agustí Fernández promoveu uma serie de apresentações em abril deste ano no Jamboree Jazz Club, em Barcelona, para as quais convidou diferentes músicos para improvisar com ele a cada noite. Mats Gustafsson, com quem o pianista já havia gravado em duo anteriormente (“Critical Mass”, 2005), foi um dos parceiros chamados. Para completar o time, o baterista catalão Ramon Prats se juntou a eles. Cinco improvisações verdadeiramente envolventes, conduzidas por dois nomes centrais da cena free atual, formam o disco. Gustafsson toca seu habitual sax barítono e também reserva espaço para o soprano, que não anda muito presente em sua discografia mais recente – mais um motivo de interesse para conhecer a gravação.






Wedding Music
Kit Downes & Tom Challenger
*Loop Collective


Os britânicos Kit Downes e Tom Challenger se uniram para inusuais sessões de improvisação de órgão e saxofone. Dialogando com texturas que remetem ao universo da música sacra instrumental, o duo cria espacializações de denso desenvolvimento divagatório, de colorido estranho e sedutor ao mesmo tempo. Difícil não imaginar o quão impactante deve ser ouvir essa música em uma igreja, em especial uma catedral, com suas possibilidades únicas de reverberação. A faixa-título e “Shos” são as que exibem os pontos de maior intensidade oferecidos pelo órgão, com Downes abusando da polifonia inerente ao instrumento.








Boot!
The Thing
*The Thing Records/Trost


Inevitável não aguardar com ansiedade um novo trabalho do The Thing, um dos mais excitantes grupos gestados neste século. O trio escandinavo reservou para este novo trabalho de estúdio apenas duas versões, de dois mestres maiores: uma de Duke Elington (“Heaven”) e uma de John Coltrane (“India”, em encantadora releitura). Os outros quatro temas são de autoria do trio. Nesse aspecto, Boot! está ligado ao anterior “Mono”, no qual também havia sido deixado de lado releituras da seara rock – referência fundamental quando se fala em The Thing e da qual, parece, os músicos se distanciaram um pouco. Mas Boot!, comparado a “Mono”, se mostra mais arisco, sujo e com a energia em elevada potência, especialmente nos temas “Reboot” e “Red River”. Mats Gustafsson se reveza em uma variedade grande de saxes: barítono, tenor, baixo e soprano. Sonoramente interessante é também a opção de Haker Flaten apenas pelo baixo elétrico. Um álbum daqueles do qual não restam dúvidas de que valeu à pena a espera.   







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