FREE THE JAZZ!!!

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terça-feira, 7 de maio de 2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Perelman reedita duo (e outras parcerias) com Matt Shipp



Ivo Perelman e Matthew Shipp pertencem à mesma geração. Ambos começaram a carreira nos anos 1980 e ganharam notoriedade na década seguinte. Em janeiro de 1996, uniram forças pela primeira vez; entraram em estúdio e gravaram “Bendito of Santa Cruz”, em duo de sax tenor e piano. O disco fazia parte da primeira fase da obra de Perelman, na qual o músico buscava criar um elo entre o free jazz e sonoridades brasileiras. Alguns meses depois, voltaram a estúdio, desta vez em trio reforçado pela presença do baixista William Parker, e gravaram “Cama de Terra”. Shipp ainda aparece nos créditos de algumas faixas de “Aquarela do Brasil” (98), mas trata-se de sobras do registro de 96. Após esses encontros, Perelman e Shipp se afastaram, voltando a se encontrar somente em meados de 2010, quando gravaram “The Hour of the Star”. Desde então, Shipp atuou em diferentes discos recentes do saxofonista (“The Foreign Legion”, “The Clairvoyant”, “The Gift”). Até que, no ano passado, decidiram reeditar o formato duo que haviam experimentado cerca de quinze anos antes.

Em duas sessões realizadas em setembro de 2012, os músicos gravaram umas duas dezenas de temas de sax e piano. A primeira parte desse encontro foi reunida no álbum “The Art of the Duet – volume one”, que acaba de ser lançado e que terá outros dois volumes, a serem editados nos próximos meses.
Shipp sempre teve no “duo de sax e piano” um de seus formatos prediletos. Basta ver o número de saxofonistas com quem registrou duetos: Roscoe Mitchell, Rob Browm, Sabir Mateen, Darius Jones, John Butcher e Evan Parker. Já Perelman gravou em duo apenas com um outro pianista, Borah Bergman (1933-2012), o disco “Geometry” (97). Curioso notar que o piano meio que havia sumido da rota de Perelman, que ficou quase uma década, entre 2001 e 2010, sem gravar acompanhado do instrumento.
The Art of the Duet é um trabalho de diálogos, em que os instrumentistas interagem de forma orgânica, demonstrando admirável intimidade expressiva, sem entraves ou desequilíbrios. Não se trata de um espaço para solos egoísticos: a interação entre sax e piano é o que conduz o encontro. O que se vê é um embate saudável, entre parceiros, um debate de ideias sem arestas, que se complementam. E a variedade de resultados é ampla. Há o lirismo incontido de “Duet #3” (as faixas são nomeadas como ‘duet’ seguido de um número), no qual o toque satieneano de Shipp cria um traçado horizontal sobre o qual o sax tenor divaga com vagar. Há a fantástica “Duet #6”, em que o piano demarca uma minimalista e vibrante pulsação à qual o sax responde de pronto e incisivamente, ora em sintonia de rumo, ora em ataque direto, ora passando ao largo e desaguando em ácidos trinados. A abstração total demarca a fraturada “Duet #10”. E, para encerrar o álbum de maneira tocante, “Duet #13”, que é, na realidade, uma breve peça solística de Shipp, um belíssimo melancólico epílogo (à melhor maneira ‘Matthew Shipp solo’) que nos convida a ficar de prontidão para ouvir os próximos capítulos desse The Art of the Duet.





Em meio a uma de suas fases mais prolíficas, o saxofonista também está lançando, simultaneamente, outros dois títulos, todos pelo Leo Records e com a participação de Matthew Shipp.
Em Serendipity temos um quarteto fantástico, com Shipp, o baterista Gerald Cleaver e o baixista William Parker. Ivo não gravava com Parker desde os anos 1990 e sua entrada na sessão se deu de forma improvisada. O álbum deveria ser em trio, mas um dos músicos estava atrasado. As horas corriam e Ivo não estava a fim de gravar em duo. Então veio a ideia: porque não ligar para Parker, que morava perto do estúdio, e ver se ele estava à toa, se não topava encontrá-los para improvisar um pouco? Não muito depois, o baixista estava no estúdio pronto para gravar. Nesse ponto, o músico atrasado aparece e, assim, sem planejamento, estava reunido um quarteto fenomenal. Serendipity é improvisação em sua forma pura: são 43 minutos de diálogo ininterrupto entre o quarteto. O tema único começa de forma mais serena, com Parker adensando o som do grupo – esse quarteto esteve no país em 2010 com uma diferença: no lugar de Parker, estava Joe Morris; é incrível como o resultado é distinto mudando apenas uma peça do conjunto. Após o tatear dos três minutos iniciais, Ivo começa a elevar o tom, em um crescendo que se sustenta até os sete minutos, quando o sopro sai de cena para Shipp solar com folga até os dez minutos. É aí que o sax retorna de forma fulminante. Entre passagens mais vorazes e pontos de relaxamanento, a faixa caminha para o pico de voltagem próximo da marca dos 40 minutos. É nessas horas que arrepia lembrar que essa sessão foi única, improvisada, jamais se repetirá.


O terceiro lançamento é The Edge. Também em quarteto, mas com outros participantes: ao lado de Ivo e Matthew estão o baixista Michael Bisio e o baterista Whitt Dickey. Ou seja, é o trio rotineiro de Matthew Shipp com Ivo Perelman – a diferença fundamental é que o disco é do saxofonista. Ficou a curiosidade de ver o trio de Shipp no comando com Ivo como convidado...
The Edge é o registro mais facilmente cativante da trinca. É aquele tipo de disco que você escuta e fica à espera do capítulo dois. Tamanha é a sintonia entre o quarteto que deveriam, realmente, pensar em retomar a parceria para outros projetos. O álbum começa com Bisio em tensa introdução ao arco, recebendo sem pressa a entrada de bateria e sax. Esse é o tom das faixas, que nunca ocorrem por meio de um ataque ruidoso direto. Os temas se desenvolvem de forma livre, mas com uma unidade bem demarcada, como se fosse um antigo conjunto tocando peças ensaiadas exaustivamente. Dickey é um dos bateristas mais geniais em atividade e sua participação é vital para a arquitetura desse trabalho. É com e em torno de seu toque, de uma delicadeza bruta, múltiplo e polidirecional, que os outros instrumentistas expressam suas vozes.
Com essa novo tríptico, Perelman amplia o já vasto alcance de sua obra (que conta com 45 títulos editados) e nos faz esperar com ansiedade por um retorno ao país, onde não toca desde 2010...



terça-feira, 16 de abril de 2013

...enquanto aqui anunciam 'BMW Jazz Festival'... Lisboa organiza o 'Jazz em Agosto'...








OFICIAL LINE-UP:












Essential Cinema, John Zorn@60

Essential Cinema, John Zorn@60
Sáb, 3 Ago 2013, 21:30
Anfiteatro ao Ar livre





Electric Masada, John Zorn@60

Electric Masada, John Zorn@60
Dom, 4 Ago 2013, 21:30
Anfiteatro ao Ar livre





aTensãoJazz

aTensãoJazz
Ep. 1-2: Seg, 5 Ago,  Ep. 9-10: Sex, 9 Ago, 18:30
Sala Polivalente CAM




Drumming GP plays Max Roach M’boom

Drumming GP plays Max Roach M’boom
Seg, 5 Ago 2013, 21:30
Anfiteatro ao Ar livre





Elephant9 feat. Reine Fiske

Elephant9 feat. Reine Fiske
Ter, 6 Ago 2013, 21:30
Anfiteatro ao Ar livre





The Thing XXL

The Thing XXL
Quar, 7 Ago 2013, 21:30
Anfiteatro ao Ar livre




Peter Evans Octet

Peter Evans Octet
Quin, 8 Ago 2013, 21:30
Anfiteatro ao Ar livre





Anthony Braxton, Falling River Music Quartet

Anthony Braxton, Falling River Music Quartet
Sex, 9 Ago 2013, 21:30
Anfiteatro ao Ar livre





World Saxophone Quartet no Jazz em Agosto (1987)

World Saxophone Quartet no Jazz em Agosto (1987)
Sáb, 10 Ago 2013, 18:30




Mary Halvorson Quintet

Mary Halvorson Quintet
Sáb, 10 Ago 2013, 21:30
Anfiteatro ao Ar livre





Sun Ra Arkestra no Jazz em Agosto (1985)

Sun Ra Arkestra no Jazz em Agosto (1985)
Dom, 11 Ago 2013,





Pharoah & The Underground

Pharoah & The Underground
Dom, 11 Ago 2013,


































quinta-feira, 11 de abril de 2013

Concertos para ouvidos inquietos (atualizado)


Se este ano tem se mostrado menos movimentado para a free music que o triênio 2010-2012, fica a empolgação de saber já estar certa ao menos mais uma atração inédita de apelo irretocável neste primeiro semestre – sim, estamos falando de The Thing com o lendário Joe McPhee! De positivo, 2013 já nos brindou com os shows inéditos de Rodrigo Amado e Gabriel Ferrandini e do Frode Gjerstad Trio, que fizeram a felicidade de quem aguarda com ansiedade por novos sons livres. A se lamentar, fica o desmentido de um show do 'Moonchild', projeto idealizado por John Zorn com Mike Paton à frente, em São Paulo no mês de junho, que faria parte da turnê sulamericana do grupo (a data de 15/6 ventilada como certa para São Paulo foi ocupada por Bogotá/Colômbia...). E bom ver o primeiro concerto do ano no CCSP (Centro Cultural São Paulo) confirmado: palco fundamental da free music, estava estranhamente silencioso nos últimos meses.



PHIL MINTON e AUDREY CHEN

sexta-feira, 29 de março de 2013

On the Underground (omaggio a Tom Bruno)


Se o mundo do free jazz e da improvisação livre como um todo permanece, com suas cinco décadas de história, turvo, à margem dos esquemas mais amplos de divulgação e consumo artísticos, algumas figuras desse universo conseguem ser ainda mais nebulosas, sombreadas pelos nomes maiores do gênero.
Quando se pensa em alguém como Tom Bruno (1937-2012), morto em 22 de agosto do ano passado, vê-se o quanto ainda é dura e precária a sobrevivência de muitos daqueles que escolhem viver para sua arte, sem concessões.

Tom Bruno, baterista (que muito entusiasta do free pode dizer: quem???), canadense de nascimento emigrado para os Estados Unidos na adolescência, somente desembarcou em Nova York em 1972, atraído pela cena free que borbulhava na cidade. Por lá travaria amizade com Jemeel Moondoc e William Parker e montaria, em consonância com o espírito da época, o “New York City Artists’ Collective” (N.Y.C.A.C.), organização sem fins lucrativos que tinha a missão de agitar encontros e concertos, viabilizar gravações e dar suporte para jovens interessados se aproximarem da free music. Por meio da N.Y.C.A.C. Records, criada em paralelo, Bruno editou seu primeiro trabalho, ‘The Sounds of Life’, em 76, um duo com a vocalista Ellen Christi, então sua esposa. De vida efêmera, o catálogo da N.Y.C.A.C. Records não chegou à meia dúzia de títulos. Os duros anos 80, que apertaram ainda mais a situação dos músicos free, em um cenário adverso que sufocou a promissora cena loft dos 70, fez com que o projeto de Bruno se dissolvesse; cada vez mais encontrando dificuldades para desenvolver sua música e por meio dela sobreviver, o baterista viu uma oportunidade no início dos 80 em um programa da prefeitura de NY, o “Music Under New York”, que selecionava artistas que tinham interesse em se apresentar nas estações do metrô. Esse foi seu destino. Uma vez aceito, o baterista fez das plataformas do metrô seu mais importante e regular palco até os anos 90. Nesse período, Tom Bruno quase nada gravou, sendo um solitário testemunho o álbum White Boy Blues, de 81, trabalho solístico no qual se reveza entre bateria, piano e voz.